terça-feira, 24 de novembro de 2015

Colatina, ES... Um encanto de lugar... Não tem água

Recebi pelo in box de uma amiga do Espírito Santo:

"Valmor:  Colatina  é uma  cidade  super quente,  quase não  venta,  tenho  familiares  lá,  você  acredita  que  estão  mandando para as  casas água do Rio Doce, como eles   são  supermercadistas  não podem  abandonar,  está  difícil.
Colatina, Espírito Santo, Brasil

Verdade, eles estão pegando água  em uma  bica de  uma  nascente próxima, mas não dá  conta.

Ofereci  minha  casa, mas  eles não podem  vir, bom não sei até quando vão aguentar.


As praias  aqui onde eu moro já tem peixes mortos".

Pelas notícias que circulam na Internet, entre culpados e punidos, todos vão se "safar". Só o povo, entre o poder e o precipício, não tem como escapar.



Quem é Lula?

Quem Lula realmente é? A melhor definição que encontrei foi dada pelo mestre Olavo. Confira:


Texto de Olavo de Carvalho

A direita jamais conseguiu derrotá-lo porque jamais conseguiu compreendê-lo. E não conseguiu compreendê-lo porque insistia em descrevê-lo com os chavões jornalísticos do dia, em vez de medi-lo na escala maior da História.

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva leva uma vida invejavelmente rica e apaixonante, mas num ponto ele tem razão de se queixar: é o homem mais incompreendido do Brasil. Nunca um personagem foi tão falado, comentado, analisado, louvado e achincalhado sem critério nem senso de observação, sem comparações objetivas nem conceitos descritivos apropriados. Cada um exerce ferozmente, a respeito dele, a paixão humana de juntar palavras no vazio para obter, da contemplação da mera ordem gramatical, a sensação voluptuosa de ter dito algo de importante.

Das muitas teorias que circularam sobre o personagem, talvez a mais imbecil seja aquela que o considerava um imbecil. Eu mesmo, confesso, me senti de início tentado a julgá-lo um incapaz, um trapalhão de comédia da Atlântida. Como tantos outros, fui levado a isso pela impressão da sua aparência entre desleixada e grotesca, da sua retórica populista, das suas hediondas metáforas futebolísticas, da sua dislalia renitente que trocava os “ss” por “ff”.

Mas nenhum homem pode ser julgado pela falta de qualidades que nunca lhe interessaram. É preciso medi-lo pelo que ele tentou fazer e pelos resultados que obteve. E o fato é que, após um começo difícil, Lula veio caminhando de vitória em vitória, desnorteando os adversários, articulando com mão de mestre os grupos mais heterogêneos e os interesses mais incompatíveis, até concentrar nas suas mãos mais poder que qualquer dos governantes que o antecederam, reduzindo a pó as oposições e transformando o Estado inteiro numa máquina dócil aos seus interesses partidários. Isso ele quis fazer, e fez. Isso foi o objetivo da sua vida, e foi exemplarmente realizado. A seus inteligentíssimos e refinadíssimos desafetos só restou, como prêmio de consolação, a pose de desprezo fingido, camuflagem do ódio impotente.

Como seria possível um tolo grosseirão ter uma carreira tão espetacular? A impressão visual era, sem dúvida, enganosa. Se comparassem o homem com personagens reais, em vez de modelos de perfeição estereotipados, perguntariam: Afinal, que encantos físicos ou indumentários possuía Josef Stálin? Que grandes tesouros de cultura havia na cabeça de Benito Mussolini? E qual é o problema com os “ss” e “ff”, se Lênin jamais conseguiu pronunciar o “r” russo e seus discursos soavam como fala infantil?

No mesmo intuito de depreciar o que não se consegue derrotar, mas indo um pouco além na presunção interpretativa, muitos liberais brasileiros, esses tipos sublimes, se viram levados a classificar Lula como “populista” porque lhes parecia inculto demais para ser comunista.

“Como falar em marxismo se Lula sequer leu uma página de Marx?”, perguntava o  indefectível Marco Antônio Villa, que não perde uma oportunidade de julgar o que não conhece (http://oglobo.globo.com/opiniao/o-pt-seu-projeto-de-poder-16057391).

A premissa embutida na pergunta é que o líder comunista tem de ser um intelectual, capaz de orientar-se nomare magnum de O Capital e dar lições eruditíssimas sobre as três leis da dialética materialista. Um tipo como Plekhanov ou Caio Prado Júnior.

Mas isso é a visão de um observador leigo. Dentro do movimento comunista, ao contrário, a condição de intelectual sempre foi um handicap, um sinal de alerta para o risco de hesitações pequeno-burguesas. Credencial infinitamente mais prezada do que isso era a origem proletária puro-sangue. Nos meios comunistas brasileiros, atulhados de intelectuais pequeno-burgueses, a chegada de um genuíno líder operário recém-importado diretamente do ABC foi uma lufada de ar fresco, uma festa e um anúncio de melhores dias.

Em contraste com o sr. Villa, quem estudou a história do comunismo deve lembrar-se da figura do general Fernando Flores Ibarra, um dos líderes máximos da Revolução Cubana, amigo íntimo e homem de confiança de Fidel Castro, além de responsável maior pela matança de opositores, o que lhe rendeu o gentil apelido de “Charco de Sangre”. Pois bem, Flores não entendia uma palavra de marxismo-leninismo, não conseguia sequer ler Marx e Engels e, rindo muito, até se gabava disso em público.

Se um exemplum in contrarium não basta para impugnar a validade de um modelo geral, cabe lembrar o papel essencial desempenhado, no movimento comunista da África do Sul, por hordas de trabalhadores recém-egressos do meio tribal, que um historiador descreveu como “incultos, mas possuidores de um elevado senso de solidariedade comunista” (A. B. Davidson, South Africa and the Communist International: Bolshevik Footsoldiers to Victims of Bolshevisation, 1931-1939, Psychology Press, 2003).

“Inculto, mas possuidor de um elevado senso de solidariedade comunista” é quase uma descrição literal do Lula. Foi ele quem, atravessando toda sorte de crises internas, conseguiu criar e salvar sempre a unidade do seu partido, depois a de um pool de partidos aliados sem afinidade ideológica nenhuma, por fim a da esquerda latino-americana inteira. Não há militante que, ouvindo-o dizer “Companheiros!” não se sinta incluído no grande abraço solidário de uma imensa comunidade combatente.

Um líder político não se julga pelo seu grau de cultura letrada, nem pelas suas convicções íntimas, que permanecem para sempre impenetráveis, mas pelas forças históricas reais que ele encarnou e às quais imprimiu indelevelmente a sua marca pessoal. Quando Barack Hussein Obama disse de Lula “Esse é o cara!”, ele sabia que estava diante da imagem suprema do comunismo latino-americano.

Após ouvir as ponderações de tarimbados comunistas alemães sobre o fracasso do socialismo chileno, Roberto Ampuero escreveu:

“Convenci-me então de que a esquerda chilena tinha sido guiada por políticos amadores e irresponsáveis, por marxistas de salão afetados de incontinência verbal, por ideólogos capazes de persuadir o seu país a dar um salto no vazio, por líderes incapazes de desenvolver um projeto viável e sustentável.”

O mesmíssimo diagnóstico aplica-se com perfeição ao governo João Goulart: bravatas, radicalismo verbal histérico, inabilidade de concentrar poder por meio de alianças e negociações – precisamente as falhas das quais não se pode acusar o sr. Lula.

A imagem que o sr. Villa e similares têm do comunista típico corresponde precisamente à daquilo que os comunistas de verdade chamam de “marxista de salão”.

Daí deriva um segundo erro monumental na imagem que pintam do sr. Lula. Poucas coisas neste mundo me irritam, mas uma delas é ouvir esquerdistas e direitistas – sempre unânimes na estupidez – dizerem que “Lula traiu seus  ideais”. Uns tentam, com esse artifício verbal, salvar a honra da esquerda, maculada pelo descrédito atual do líder. Os do outro lado nem percebem que os ajudam nisso ao medir o chefe do Mensalão na régua dos seus próprios valores proclamados, danando a reputação dele mas consagrando esses valores como medida absoluta das ações humanas e concedendo ao adversário uma vitória ideológica geral duradoura em troca de uma vantagem pontual momentânea.

Em ambos os casos, é puro fingimento histérico: uns e outros não raciocinam a partir dos fatos e da História, mas das impressões que desejam incutir na platéia, das quais, para maior verossimilhança do efeito, tratam primeiro de imbuir-se a si próprios. Não são analistas políticos, são marqueteiros, interessados apenas nos resultados imediatos, totalmente insensíveis aos fatores de longo prazo.

Para quem raciocina com base no estereótipo do “idealismo comunista” – uma autoprojeção do espírito pequeno-burguês que nada tem a ver com a realidade dos partidos comunistas --, parece lógico que, se um político de esquerda vai para cama com grandes capitalistas, comete adultério, macula a pureza dos seus “ideais”.

Na história real do movimento comunista, ao contrário, todo idealismo é considerado uma debilidade pequeno-burguesa, e a recusa de fazer alianças necessárias à concentração de poder um pecado mortal.
“Se você tem quatro inimigos – dizia Lênin --, alie-se com três contra o quarto, depois com dois contra o terceiro, depois com um contra o segundo.”

Quanto à intimidade com o grande capital, Stálin, nos anos 30, recomendava ao partido comunista dos EUA que deixasse de lado os proletários e tratasse de conquistar os corações e mentes dos ricos e importantes (V. Stephen Koch, Double Lives). Foi isso o que mais tarde garantiu à URSS o afluxo de dinheiro americano com que se construiu o parque industrial bélico soviético em tempo de reagir com sucesso à invasão alemã.

Concentrar poder por todos os meios possíveis e imagináveis, inclusive mediante alianças com o “inimigo de classe”, é a obrigação número um de todo líder comunista. O sucesso que Lula obteve por esse meio é indiscutível. E é preciso ser uma espécie de PhD em idiotice para medir o coeficiente de comunismo na mente de um político com a régua de um estereótipo moralista pequeno-burguês.

Mais idiota ainda é recusar-se a chamar um comunista de comunista enquanto ele não declarar que o é. Pois nada mais constante, na história do comunismo, do que a sua persistência em parecer outra coisa, em adornar-se com outros nomes: Front Popular, antifascismo, terceiromundismo, “não alinhados”, progressismo, trabalhismo, desenvolvimentismo, o diabo.

Porém o suprassumo da  cretinice é contestar a fidelidade de Lula ao comunismo mediante a alegação de que é um larápio, um corrupto. Qual grande líder comunista não o foi? Qual não viver como um nababo enquanto seu povo comia ratos? Qual partido comunista subiu ao poder sem propinas, sem desvio de dinheiro público, sem negócios escusos, sem roubo e chantagem?

Nada mais desprezível, nos meios comunistas, do que o moralismo pequeno-burguês que se apega às regras da decência formal em vez de seguir a moral marxista segundo a qual o bem é o que aumenta o poder do Partido, o mal o que o diminui. Corrupção? Ninguém expressou melhor a atitude comunista quanto a esse ponto do que o poeta oficial do Partido Comunista francês, Louis Aragon: “Corromperemos o Ocidente a tal ponto, que ele vai começar a feder.” Ninguém encarnou melhor esse propósito do que Luís Inácio Lula da Silva.

Pelo critério das ações objetivas, Lula entrará para a história como o grande salvador e unificador não só da esquerda brasileira, mas do movimento comunista latino-americano, que sem ele teria ido para a lata de lixo na década de 90, como bem observou o comando das Farc em mensagem enviada ao décimo-quinto aniversário do Foro de São Paulo.

Lula pode não entender grande coisa de economia marxista, mas em matéria de estratégia e tática foi o maior dos maiores, um autêntico mestre da duplicidade dialética. Chegou ao cume com uma habilidade impressionante, que o próprio Lênin aplaudiria, e cumpriu seu papel na transição revolucionária, instaurando a hegemonia, a concentração poder político e econômico e o aparelhamento do Estado. Quem, na América Latina inteira, conseguiu fazer mais?

Perto dele, Luís Carlos Prestes e Carlos Marighela foram apenas amadores trapalhões, especialistas em fracasso.

Comparem-no, até, com Fidel Castro. Após um começo espetacular, o ditador cubano, desde o fiasco da OLAS com suas guerrilhas, se encolheu à condição de reizinho de um povo faminto e esfarrapado. Esquecido do mundo, encalacrado na sua ilha, frustradas todas as suas ambições de revolução continental, teria morrido entre espasmos de revolta impotente se Lula não o salvasse do isolamento mediante a idéia genial do Foro de São Paulo, que realizou precisamente o que o generalíssimo jamais conseguiu: elevar ao poder os partidos comunistas e pró-comunistas nos principais países da América Latina.

Não é de estranhar que essa construção tão laboriosamente erigida começasse a desabar justamente no instante em que Lula se retirou da presidência da República, deixando no seu lugar uma trapalhona autêntica, e, debilitado pela velhice e pelas acusações de corrupção, desacelerou suas atividades no Foro de São Paulo para dedicar tempo integral à crise da esquerda local e aos seus próprios problemas com a Justiça. Sem ele, a esquerda latino-americana tem os dias contados. Todas as suas glórias foram obra dele, e sem ele vão para o beleléu.

De longe, e sob todos os aspectos, Lula foi o maior e mais eficiente líder comunista que a América Latina já conheceu – o criador e guru de Chávez, Maduro, Morales e tutti quanti, o articulador da estratégia unificada continental. A direita jamais conseguiu derrotá-lo porque jamais conseguiu compreendê-lo. E não conseguiu compreendê-lo porque insistia em descrevê-lo com os chavões jornalísticos do dia, em vez de medi-lo na escala maior da História.

Nesse sentido, Lula foi, de todas as figuras públicas do Brasil recente, a mais digna de respeito. Não pelas suas virtudes morais, que inexistem, mas pela sua “virtù” no sentido maquiavélico do termo: uma vontade de ferro aliada a uma flexibilidade estratégico-tática totalmente desprovida de escrúpulos e capaz, por isso mesmo, de dobrar a seu talante o curso da História, levando-a para onde bem deseja, ante os olhos atônitos de adversários sonsos que não conseguem nem mesmo descrever o que ele está fazendo.

Não somente em escala nacional, mas continental, o homem que nada sabia de marxismo conseguiu realizar o objetivo de Antonio Gramsci, elevando o seu partido às dimensões de “um poder onipresente e invisível como o de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

Ninguém, na política brasileira ou continental dos últimos quarenta anos, pode se ombrear com ele em envergadura, em capacidade de ação eficaz, em amplitude das ambições realizadas.

Os que empinam os narizinhos para depreciá-lo são como pulgas que criticam o cachorro que as transporta, sem saber para onde as leva.
Sim, ele merece respeito. No mínimo, é como num filme que vi há tempos, cujo título me escapa, no qual o líder local de uma aldeia mexicana era tão temido e respeitado que todos o chamavam de “El Mayor”. E só na intimidade, a uma distância segura dos ouvidos do tirano, ousavam declarar o nome por extenso: “El Mayor Hijo de Puta”.


Olavo de Carvalho é Jornalista e Filósofo. Originalmente Publicado no Diário do Comércio em 19 de novembro de 2015.

O ar está contaminado em Mariana, MG

A situação em Mariana é muito pior do que se imaginava. A contaminação atinge o ar!

A evaporação das águas do Rio Doce afetará áreas numa distância de até 10 km em cada lado do rio.

Alguns metais pesados identificados são: manganês (afeta o cérebro), mercúrio e outros menos tóxicos, ainda assim muito perigosos à saúde.

A poluição, segundo especialistas, não será eliminada antes de 10 anos.

A reversão do estrago só será possível em 50 anos. E vai custar caro. Quem vai pagar?

Confira no vídeo a opinião de um especialista:
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Servidores do Ministério da Justiça recebem um bom salário para ver filmes, novelas e jogar videogame

Um grupo de 24 servidores do Ministério da Justiça (MJ) tem um emprego dos sonhos para muita gente. Eles ganham cerca de R$ 7 mil por mês para assistirem filmes e novelas antes da estreia, além de jogar novos videogames.

Foto: Gabriel Luiz/G1

O objetivo do serviço é atribuir a classificação indicativa dos produtos – que sugere qual faixa etária deve ter acesso aos conteúdos –, o que deve ocorrer antes do lançamento oficial do produto. 

O sistema de classificação foi implantado há 25 anos. Segundo o MJ, qualquer tipo de produto é avaliado de acordo com os mesmos padrões, que buscam identificar pontos de sexo, nudez, violência ou uso de drogas no material. 














domingo, 22 de novembro de 2015

                   Estado Islâmico 
Porque está tão difícil combatê-lo?
Como eliminá-lo?

Abaixo as explicações de alguns especialistas no assunto:

"O Estado Islâmico funciona como uma corporação muito bem administrada, que detém o monopólio do petróleo em uma área com mais de 12 campos de exploração, só faz negócios em dinheiro e vive de extorquir seus "clientes".
Ao contrário da Al Qaeda em seu apogeu, que dependia pesadamente de doações de milionários estrangeiros, o EI é autossuficiente e tem um "portfólio" de atividades muito variado.
O principal negócio da facção é o petróleo. O EI detém 60% da produção de petróleo da Síria e controla cerca de 12 campos de exploração em território sírio e iraquiano.
Segundo estimativas de traders, analistas e do Departamento do Tesouro dos EUA, o petróleo rende cerca de US$ 2 milhões por dia para a facção terrorista."
(PATRÍCIA CAMPOS MELLO, jornalista)

Os "aliados" tentam reduzir a "exportação" do petróleo, mas não podem destruir as refinarias e os campos.

Refinaria de Baiji, ao norte de Bagdá



"A única coisa que existe nessa região é o petróleo, e as pessoas precisam disso para viver", explica o especialista em Síria Joshua Landis, chefe do Centro de Estudos de Oriente Médio da Universidade de Oklahoma e editor do blog SyrianComment.

Há filas com mais de 5 quilômetros de caminhões tanque, segundo reportagem do "Financial Times". Esses caminhões compram o petróleo e vendem para contrabandistas ou direto para refinarias.

Os americanos relutam em bombardear caminhões, porque os motoristas são civis e pode causar efeitos colaterais.

Em Deir Ezzor, na Síria, caças americanos jogaram folhetos avisando os caminhoneiros que haveria bombardeio e deveriam deixar os veículos. Depois, jogaram 24 bombas de 225 quilos, destruindo mais de cem veículos com petróleo do EI.

Mas não podem bombardear todas as instalações:

"Precisamos levar em conta que haverá um período pós-guerra, a guerra vai acabar, e nós não queremos destruir completamente essas instalações, senão não será possível consertá-las", disse o coronel Steve Warren, porta-voz da operação americana de combate ao EI.

"O maior desafio é cortar as fontes de financiamento do EI sem prejudicar a enorme população civil que vive sob controle da facção", diz Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center, em Beirute.

Há mais de 10 milhões de pessoas vivendo em áreas controladas pelo EI :
Regiões dominadas pelos terroristas do IE

"A maior parte do petróleo produzido nos campos controlados pelo EI na Síria é vendido para outras partes do país, inclusive dominadas pela oposição. Então, interromper o fornecimento afeta serviços essenciais, como hospitais, padarias e transportes, que precisam de diesel para funcionar."

Vários países impõem sanções contra indivíduos que compram petróleo do EI, mas a Força Tarefa de Ação Financeira, órgão internacional que combate financiamento ao terrorismo, admite que é difícil o rastreamento pois os terroristas só vendem a dinheiro.

O EI tem a vantagem de ter negócios diversificados:

"A facção lucra cerca de US$ 12 milhões por mês com "impostos" (eufemismo para extorsão) cobrados nas cidades que domina, segundo estudo de Charles Lister, da Brookings Institution.

Os caminhões que trafegam no oeste do Iraque, trazendo alimentos da Síria e da Jordânia, precisam pagar uma "taxa alfandegária" que era de US$ 300 por veículo em setembro de 2014. 

Em Raqqah, a facção cobra US$ 20 a cada dois meses de comerciantes, em troca de eletricidade, água e segurança."   (PATRÍCIA CAMPOS MELLO, jornalista)

(Para nós, brasileiros, uma ninharia, se comparado ao que pagamos).

"Há também o imposto de renda de pessoa jurídica, retido na fonte: farmácias em Mossul, capital do EI no Iraque, pagam uma taxa de 10% a 35% do valor dos remédios que vendem.

Na mesma cidade, estudantes de ensino fundamental pagam ao EI US$ 22 por mês, e universitários, US$ 65.

Os agricultores precisam entregar parte da colheita de trigo e cevada ao EI a título de "zakat" (imposto religioso, espécie de dízimo).

Além disso, muitas vezes os extremistas confiscam máquinas agrícolas e então as alugam para os mesmos agricultores de quem as confiscaram.

Os cristãos vivendo em cidades dominadas pelo EI pagam a taxa chamada "jyzia" para evitarem ser mortos por não serem muçulmanos.

O governo americano acredita que o EI levantou pelo menos o equivalente a US$ 500 milhões ao se apoderar de agências de bancos estatais no oeste do Iraque no ano passado.

Nas agências de bancos privados na região, o EI instalou gerentes e passou a cobrar 5% de todas as retiradas."   (PATRÍCIA CAMPOS MELLO, jornalista)

Outra fonte de receita dos bandidos são os sequestros, que
renderam mais de US$ 40 milhões no ano passado.

"As fontes de receita do EI são profundas e diversificadas. Com exceção de organizações terroristas bancadas por Estados, o EI é provavelmente a facção terrorista com maior poder financeiro que nós já enfrentamos", disse em discurso no fim do ano passado David S. Cohen, subsecretário do Tesouro americano para Inteligência Financeira e Terrorismo.